Fantástico, o show da corrupção

março 27th, 2012 § 3 Comentários

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É uma verdadeira aula de Brasil a trajetória dessa “reportagem” do Fantástico que colocou o país frente a frente com o cotidiano da corrupção que irradia de Brasília para cada hospital, cada escola, cada guichê de cada repartição pública de cada município e cada estado brasileiro disputados pelas 27 máfias com representação no Congresso Nacional que mantêm os dentes cravados nas veias deste país.

Não tanto pelo que a Globo nos tem mostrado à exaustão. As cenas de deboche filmadas apenas põem carne e osso reais nos arquétipos que todos os chico anísios deste e dos séculos passados já montaram tantas vezes com a precisão do absolutamente dejà vu.

O que ensina mais sobre o ponto a que chegamos é justamente o que ela tem mostrado de menos.

Pense, por exemplo, sobre tudo que nos sussurra o fato de uma rede de televisão poder negociar com um hospital público o estratagema que resultou no registro daquelas imagens. Quem quiser ser otimista pode ver aí até uma luzinha de esperança. Ainda existe quem tenha medo do inferno no serviço público brasileiro? Haveria por trás de tudo um diretor indignado, cansado de ver a roubalheira tantas vezes denunciada a seus superiores repetindo-se impunemente, com consciência e coragem suficientes para fazer justiça com as próprias mãos?

É um pensamento auspicioso…

Mas porque, então, não foi essa a matéria da Globo?

E que dizer do fato que aflorou na sequência – óbvio também – de cada um dos ladrões filmados roubar em dezenas de outras portas do mesmo “estabelecimento” ao qual pertence esse hospital. Como é possível que o flagrante da indecente promiscuidade entre a prefeitura e o governo do Estado do Rio de Janeiro e ratazanas tão inconfundivelmente ratazanas quanto as que o país inteiro viu em ação no Fantástico continue sendo tratado como um “side” de menor importância, dando-se a reportagem da Globo candidamente por satisfeita com a “surpresa” demonstrada pelo prefeito e pelo governador e a promessa vaga de “suspender para investigação” aquela montanha de contratos daquela corja com empresas e autarquias sob sua guarda?

Já sei o que você pensou…

Mas a Globo, é preciso lembrar, não está sozinha nesse desvio. Mais rica que seus concorrentes, ela consegue a colaboração do governo para exibir o produto da sua própria arapongagem. Mas todos os outros grandes grupos da imprensa brasileira têm apresentado como resultado de investigações próprias aquilo que a polícia dos próprios implicados – quando não agentes menos qualificados – escolhe em seus arquivos para “dar acesso” a quem os faça chegar ao distinto público quando as lutas entre as quadrilhas que disputam os pedaços do Estado brasileiro demandam “fuzilamentos”.

E, como a Globo agora, todos quantos “têm acesso” a tais provas retribuem com um silêncio cúmplice a quem os elege como a arma da vez para disparar o petardo contra o inimigo visado. Essa expressão – “tivemos acesso a…” – que se transformou num padrão de todas as “denuncias” da imprensa da Era Lula é, aliás, o único sinal cifrado que fica dessa cumplicidade espúria. Nenhum fez, até hoje, a “matéria da matéria”, mostrando como e porque aquelas provas lhes foram jogadas no colo, que é a que realmente mostraria a quantas anda o estado moral da Nação. Uma nuvem espessa de obtusidade desce invariavelmente dos céus nesses momentos e todos, entre um auto-elogio e outro pela “exclusividade” do “feito jornalístico”, mostram-se tão satisfeitos com a “surpresa” do acusado da hora diante dos “malfeitos” expostos quanto a Globo parece estar agora com a do governador e a do prefeito do Rio.

Tá tudo dominado!“, dirão os mais ligeiros. “Trata-se de uma gigantesca conspiração da qual a imprensa faz parte“.

Não atribuo aos protagonistas da nossa crônica político-policial esse grau de competência. O ambiente em que atuam não exige deles, nem essa sutileza, nem essa capacidade de articulação com o mundo aqui de fora. A impunidade garantida empurra-os na direção contrária. Tudo o que fazem é cada vez mais explícito e descuidado.

A questão é mais complexa do que isso.

Ainda que existam em torno dos nossos maiores grupos jornalísticos os interesses e as pressões que todos conhecemos, elas são tão diferentes de grupo para grupo que seria impossível tanta coordenação. E, além disso, há uma dimensão do equipamento institucional “imprensa” que nem os proprietários dessas empresas têm o poder de controlar.

Conclusão: são os próprios jornalistas que estão desafinando. E o que é pior: é indispensável a anuência do publico para que tanta desafinação possa continuar sendo saudada como música.

Ninguém é treinado como o brasileiro para aceitar o surreal como real. Dormimos pacificamente com o inimigo desde que nascemos. De tal modo que a nossa versão de “democracia” é definida pela forma institucionalizada dessa distorção que é o modo absolutamente lhano com que, dia após dia, escândalo após escândalo, recebemos na sala de nossas casas, graças ao “horário eleitoral gratuito”, o criminoso apresentado como santo nos intervalos do mesmo programa jornalístico em que seus crimes acabaram de ser expostos.

Se você ainda tem dúvidas sobre o poder distorsivo dessa arma, o fato da disputa pela sua posse ser o fulcro da gigantesca corrupção que marca a luta pelo poder no Brasil indica claramente que nossos políticos não têm nenhuma.

A verdade é que, dos profissionais aos amadores da informação – postos de lado os que de fato “estão dominados” – vamos todos perdendo a capacidade de ligar lé com cré. A política brasileira só pode continuar sendo o que é porque nós somos isto em que ela nos transformou. O país inteiro está doente. E reconhece-lo é a primeira condição para sonhar com a cura.

PT não espera educação de suas próprias escolas

março 21st, 2012 § 2 Comentários

Aloísio Mercadante que, segundo suas próprias palavras, “está ministro da Educação”, deu entrevista ao Valor na semana passada publicada segunda-feira em uma página inteira do jornal, que resume bem o dilema brasileiro.

Por essa entrevista ficamos sabendo que o PT entende perfeitamente o potencial revolucionário das reformas iniciadas pelo governo Fernando Henrique Cardoso na área da educação e é capaz de identificar com precisão o ponto nevrálgico dessa revolução que é a introdução da meritocracia no ensino público.

O ministro do PT saúda explicitamente “o grande programa do Bolsa Família com exigência de manter as crianças na escola“, obrigação que, recorde-se, Lula dispensou, e o caráter “estratégico do Enem” que, pela primeira vez, deu ao Estado uma ferramenta para lhe permitir “escolher os melhores para o Ciência Sem Fronteiras (bolsas para alunos brasileiros em universidades estrangeiras), para o ProUni e para as melhores universidades“.

Com o Enem (que o PT sabotou até onde pode quando era oposição) a chance passou a ser igual, do filho do reitor ao filho da faxineira“, admitia o ministro “estante” ao Valor. “O Enem é necessário a um sistema republicano e democrático de meritocracia do estudante“.

O problema que subsiste, porém, é que Mercadante e o resto do PT não admitem a sujeição das suas clientelas, da qual o professorado é um segmento fundamental e dos mais organizados, a esse mesmo critério de mérito sem o qual, ele reconhece, “um sistema republicano e democrático” não se pode estabelecer e nem a qualidade da educação pública ser melhorada.

Para o professorado a receita do PT continua sendo a mesma que levou a educação brasileira para o buraco em que se encontra: reajustes automáticos de salário inteiramente desligados da exigência de desempenho.

Para os governadores que respondem aos decretos do PT sobre os salários com a queixa de que “ou aumentam os professores, ou cumprem a Lei de Responsabilidade Fiscal, as duas coisas ao mesmo tempo é impossível“, Mercadante tem a resposta perfeita. “Em alguns estados mais da metade da folha de pagamentos é de aposentados e pensionistas. Então o problema não é o piso dos professores mas a equação geral da remuneração e a relação dos aposentados e pensionistas. Ou seja, de reformas que não foram feitas“.

E, de fato, quem já cobra mais de 1/3 de tudo que o país produz em impostos pode alegar qualquer coisa menos falta de dinheiro para se desculpar pela qualidade pífia da educação pública que oferece em troca. O que falta não é dinheiro, é a definição de prioridades e a do PT tem sido comprar eleições de preferência a comprar uma educação de primeira, como se pode deduzir do fato eloquente do ministro que discursa sobre os benefícios “republicanos” da meritocracia continuar tratando o professorado como uma categoria a ser subornada por aumentos automáticos de salário sem nenhuma exigência de contrapartida em desempenho.

Enquanto continuar tendo os seus esforços para tratar o dinheiro da educação pública como sua propriedade particular recompensados por decisões como essa, o que o professorado brasileiro continuará entregando é o que entrega hoje: doutrinação e descaso nas salas de aula; arrogância e greves para os trabalhadores e pais de alunos que lhes pagam os salários.

E tanto o PT sabe que essa é a consequência inescapável de seguir permitindo a instrumentalização corporativa da educação pública que, no que tange a qualidade de ensino, a única política que ele consegue esboçar é a de exportar alunos para bem longe das escolas que ele próprio gerencia e matricula-los nas de países cujos governos exigem desempenho de seus funcionários e põem os professores a serviço da educação.

A “Teoria das Janelas Quebradas”

março 14th, 2012 § 2 Comentários

A matéria, em espanhol e sem identificação de autor, foi enviada por Cecília Thompson. Achei oportuno traduzi-la

Em 1969 o professor Philip Zimbardo da Universidade de Stanford (EUA), realizou uma experiência em psicologia social que se tornou clássica. Ele deixou dois carros idênticos abandonados na rua; mesma marca, mesmo modelo, mesma cor. Um foi deixado numa rua do Bronx, um bairro pobre e problemático de Nova York. O outro em Palo Alto, bairro rico e pacífico da Califórnia. Dois carros idênticos abandonados, dois bairros com populações muito diferentes e equipes de especialistas em psicologia social anotando a reação das pessoas em cada um.

O carro abandonado no Bronx começou a ser vandalizado em poucas horas. Roubaram os pneus, o motor, os espelhos, o rádio… Tudo que dava para aproveitar foi levado e o que não dava foi destruído.

Já o carro de Palo Alto permaneceu intacto.

É comum atribuir-se o crime à pobreza. Esquerda e direita costumam concordar nesse ponto. No entanto, a experiência não terminou aí. Passada uma semana os pesquisadores decidiram quebrar um vidro do carro de Palo Alto. E daí por diante o destino dele foi o mesmo do carro do Bronx. Foi vandalizado e depenado até ficar na mesma petição de miséria do carro do bairro pobre de Nova York.

Porque um mero vidro quebrado num carro abandonado em um bairro supostamente seguro é capaz de disparar todo um processo como esse?

Não tem nada a ver com pobreza. É algo que tem a ver com a psicologia das relações sociais.

Uma janela quebrada em um carro abandonado, constataram os controladores da experiência, transmite uma idéia de deterioração, de descaso, de descuido; sugere que os códigos de convivência já estão rompidos; dá idéia de ausência de lei, de normas, de regras; passa a impressão de que nada vale a pena. E a cada novo ataque que o carro sofria, essas idéias iam sendo reafirmadas com a violência se multiplicando até desembocar num frenesi irracional.

Em experiências posteriores (James Q. Wilson e George Kelling) foi desenvolvida a “teoria das janelas quebradas” que, extendida a uma abordagem criminológica, concluiu que o crime é sempre mais frequente em áreas onde a negligência, a sujeira, a desordem e o abuso são maiores.

Se você quebrar uma vidraça da janela de um prédio e deixá-la sem conserto, em breve todas as outras serão quebradas também. Paralelamente, se uma área comunitária começar a mostrar sinais de deterioração e ninguém se importar com isso, a coisa logo evolui do vandalismo para o crime. Se as pequenas infrações como estacionamento em local proibido, excesso de velocidade ou atravessar o farol vermelho não forem coibidas, logo começarão a ocorrer infrações mais graves até a coisa desembocar no crime.

Se um parque ou outro espaço público for se deteriorando e ninguém fizer nada, esses locais irão sendo progressivamente abandonados e ocupados por gangues de marginais até que a vizinhança não saia mais de casa por medo dos criminosos.

No seio da família acontece a mesma coisa. Se um pai deixa sua casa se deteriorar, a pintura das parades descascando, relaxa com a limpeza, fala palavrões, admite a falta de respeito entre os membros da família, logo os filhos estarão fazendo a mesma coisa fora de casa. No limite talvez acabem numa prisão.

O colapso de uma sociedade começa pelo desapego aos valores universais; pela falta de respeito entre seus membros e deles com as autoridades que se expressa pelo suborno e pela corrupção; pela falta de educação e de cidadania.

Estamos criando um país de janelas quebradas – de muitas janelas quebradas – e ninguém parece disposto a fazer nada para consertá-las…

A “teoria das janelas quebradas” foi aplicada pela primeira vez como remédio em meados dos anos 80 no metrô de Nova York, que tinha se transformado no lugar mais perigoso da cidade. Eles começaram a lutar contra as pequenas transgressões: apagar os grafites, limpar as estações, coibir a embriaguez em público, reprimir o ato de pular as catracas, os pequenos furtos e a desordem em geral.

O resultado foi fulminante. O metro de Nova York logo passou a ser um lugar seguro.

Em 1994 o prefeito Rudolph Giuliani resolveu extender a experiência à cidade inteira com a “Política de Tolerância Zero“. A estratégia era criar comunidades limpas e arrumadas não permitindo pequenas transgressões da lei e das regras da boa convivência urbana.

E os legendários índices de criminalidade de Nova York desabaram.

“Tolerância zero” soa como uma receita autoritária e repressiva, mas não é nada disso. Não se trata de linchar os agressores. A “tolerIancia zero”, aliás, vale também para a violência policial. Trata-se de prevenir e de promover a segurança nas ruas.

Não se receita “tolerância zero” para com a pessoa que comete a infração mas sim “tolerância zero” para com a infração em si mesma. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas e que respeitam as leis e os códigos básicos da boa conviviência humana. O resto acontece sozinho.

É bom voltar a lembrar dessa teoria e aproveitar para difundi-la…

Romário melhor que a encomenda

janeiro 25th, 2012 § 2 Comentários

Nunca simpatizei muito com o Romário.

Eu estava errado. O cara é melhor do que eu pensava.

Veja a entrevista que ele deu ao repórter Cosme Rímoli, da TV Record.

Você foi recebido com preconceito em Brasília?

Olha, vou ser claro para quem ler entender como as coisas são. Há o burro, aquele que não entende o que acontece ao redor. E há o ignorante, que não teve tempo de aprender. Não houve preconceito comigo porque não sou nem uma coisa nem outra.

Mesmo tendo a rotina de um grande jogador que fui, nunca deixei de me informar, estudar. Vim de uma família muito humilde. Nasci na favela. Meu pai, que está no céu, e minha mãe ralaram para me dar além de comida, educação. Consciência das coisas…

Não só joguei futebol. Frequentei dois anos de faculdade de Educação Física. E dois de moda. Sim, moda. Sempre gostei de roupa, de me vestir bem. Queria entender como as roupas eram feitas.

Mas isso é o de menos. O que importa é que esta sede de conhecimento me deu preparo para ser uma pessoa consciente… Preparada para a vida.

E insisto em uma tese em Brasília, com os outros deputados. O Brasil só vai deixar de ser um país tão atrasado quando a educação for valorizada. O professor é uma das classes que menos ganha e é a mais importante. O Brasil cria gerações de pessoas ignorantes porque não valoriza a Educação. E seus professores.

Não há interesse de que a população brasileira deixe de ser ignorante. Há quem se beneficie disso. As pessoas que comandam o País precisam passar a enxergar isso. A Saúde é importante? Lógico que é. Mas a Educação de um povo é muito mais.

Essa ignorância ajuda a corrupção? Por exemplo, que legado deixou o Pan do Rio?

Você não tenha dúvidas que a ignorância é parceira da corrupção.

Os gastos previstos para o Pan do Rio eram de, no máximo, R$ 400 milhões. Foram gastos R$ 3,5 bilhões.

Vou dar um testemunho que nunca dei. Comprei alguns apartamentos na Vila Panamericana do Rio como investimento. A melhor coisa que fiz foi vender esses apartamentos rapidamente.

Sabe por quê?

A Vila do Pan foi construída em cima de um pântano. Está afundando. O Velódromo caríssimo está abandonado. Assim como o Complexo Aquático Maria Lenk… É um escândalo! Uma vergonha! Todos fingem não enxergar.

Alguém ganhou muito dinheiro com o Panamericano do Rio.

A ignorância da população é que deixa essa gente safada sossegada. Sabe que ninguém vai cobrar nada das autoridades. A população não sabe da força que tem.

Por isso defendo os professores. Não temos base cultural nem para entender o que acontece ao nosso lado. E muito menos para perceber a força que temos.

Para que gente poderosa vai querer a população consciente? O Pan do Rio custou quatro vezes mais do que este do México. Não deixou legado algum e ninguém abre a boca para reclamar.

Se o Pan foi assim, a Copa do Mundo no Brasil será uma festa para os corruptos… 

Vou te dar um dado assustador. A presidente Dilma havia afirmado quando assumiu que a Copa custaria R$ 42 bilhões. Já está em R$ 72 bilhões. E ninguém sabe onde os gastos vão parar. Ningúem.

Com exceção de São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul e olhe lá…Pernambuco… Todas as outras sete arenas não terão o uso constante. E não havia nem a necessidade de serem construídas.

Eu vi onze das doze… Estive em onze sedes da Copa e posso afirmar sem medo. Tem muita coisa errada. E de propósito para beneficiar poucas pessoas.

Por que o Brasil teve de fazer 12 sedes e não oito como sempre acontecia nos outros países?

Basta pensar. Quem se beneficia com tantas arenas construídas que servirão apenas para três jogos da Copa?

É revoltante! Não há a mínima coerência na organização da Copa no Brasil.

São Paulo acaba de ser confirmado como a sede da abertura da Copa. Você concorda?

Como posso concordar? Colocaram lá três tijolinhos em Itaquera e pronto… E a sede da abertura é lá. Quem pode garantir que o estádio ficará pronto a tempo?

Não é por ser São Paulo, mas eu não concordaria com essa situação em lugar nenhum do País. Quando as pessoas poderosas querem é assim que funcionam as coisas no Brasil.

No Maracanã também vão gastar uma fortuna, mais de um bilhão. E ninguém tem certeza dos gastos. Nem terá. Prometem, falam, garantem mas não há transparência.

Minha luta é para que as obras não fiquem atrasadas de propósito. E depois aceleradas com gastos que ninguém controla.

O que você acha de um estádio de mais de R$ 1 bilhão construído com recursos públicos? E entregue para um clube particular?

Você está falando do estádio do Corinthians, não é?

Não vou concordar nunca.

Os incentivos públicos para um estádio particular são imorais. Seja de que clube for. De que cidade for. Não há meio de uma população consciente aceitar. Não deveria haver conversa de politico que convencesse a todos a aceitar.

Por isso repito que falta compreensão à população do que está acontecendo no Brasil para a Copa.

A Fifa vai fazer o que quer com o Brasil?

Infelizmente, tudo indica que sim. Vai lucrar de R$ 3 a R$ 4 bilhões e não vai colocar um tostão no Brasil.

É revoltante.

Deveria dar apenas 10% para ajudar na Educação. Iria fazer um bem absurdo ao Brasil.

Mas cadê coragem de cobrar alguma coisa da Fifa? Ela vai colocar o preço mais baixo dos ingressos da Copa a R$ 240,00. Só porque estamos brigando pela manutenção da meia entrada.

É uma palhaçada!

As classes C, D e E não vão ver a Copa no estádio. O Mundial é para a elite. Não é para o brasileiro comum assistir.

Ricardo Teixeira tem condições de comandar o processo do Mundial de 2014? 

Não tem de saúde. Eu falei há mais de quatro meses que ele não suportaria a pressão.

Ser presidente da CBF e do Comitê Organizador Local é demais para qualquer um. Ainda mais com a idade que ele tem.

Não deu outra! Caiu no hospital. E ainda diz que vai levar esse processo até o final.

Eu acho um absurdo.

Muito além da saúde de Ricardo Teixeira. Você acha que pelas várias denúncias, investigações da Polícia Federal… Ele tem condições morais de comandar a organização Copa no Brasil?

Não. O Ricardo Teixeira não tem condições morais de organizar a Copa. Não até provar que é inocente. Que não tem cabimento nenhuma das denúncias. Até lá, não tem condições morais de estar no comando de todo o processo. Muito menos do futebol brasileiro…

A África apresentou há alguns meses atrás o resultado final da Copa do Mundo: deu prejuízo e grande. Agora é a vez do Brasil.

Fifa, CBF, políticos e os empreiteiros vão ganhar muito dinheiro. E o povo? Nada como sempre!

Apenas terá a obrigação de contribuir para pagar a conta.

Quem teve a idéia de promover, o evento em nosso país, alguém sabe? O Brasil é uma farsa, como sempre irá jogar a sujeira para debaixo do tapete.

 Entrevista enviada por Gustavo dos Reis Filho

A novela da meia entrada

outubro 14th, 2011 § Deixe um comentário

A novela da meia entrada na Copa do Mundo é um desses casos que deveria fazer cair a ficha aos habitantes desta ilha cercada de língua portuguesa por todos os lados para a distância abismal que nos separa das praias alguma vez já banhadas pelas águas da democracia.

Os donos dessa teta se levantam em defesa dela com o discurso da soberania nacional ameaçada e, em pleno Terceiro MiIênio ainda vejo alguns jornalistas salivando pavlovianamente e fazendo-lhes eco sem enrubescer, carregados de “indignação cívica” contra esses loiros de olhos azuis intrometidos, para nos lembrar como vai fundo o aparelhamento das nossas escolas e o quanto ainda nos pesa o isolamento linguístico em plena era da internet.

Mesmo assim, não ha como fazer entrar em cabeças que ainda pensam uma aberração como esta. Ainda que queira, como de certo quer já que também eles estão se fartando de mamar nessa festa que Lula nos armou, a Fifa simplesmente não tem como fazer contas a esse respeito de modo a fechar um business plan que faça um mínimo de sentido.

Pois não ha meios de saber que parcela de cada arquibancada de cada jogo desta Copa será ocupada por detentores de carteirinhas da UNE ou por “idosos” de 60 anos e mais com carteira de identidade brasileira, para que se possa calcular quanto cobrar a mais, para fechar a conta, de todos os outros mortais nacionais e estrangeiros não aquinhoados com o pedacinho de privilégio que o PC do B está autorizado a vender para ter como comprar os votos que seu discurso não consegue mais angariar.

Como é que é?

Isso mesmo. Se não é do seu tempo fique sabendo que distribuir “carteirinhas de estudante” que dão direito a meia entrada deixou de ser uma atribuição de qualquer escola, como foi um dia no passado, o que era apenas um absurdo, e passou a ser, graças ao finado presidente Itamar Franco, um privilégio exclusivo do PC do B, o que transformou a coisa num crime eleitoral consentido.

Como o PC do B é, coincidentemente, o partido do ministro dos Esportes, eles não tardarão a aprender o modo brasileiro de fazer justiça que é chutando os preços dos ingressos todos muito lá para cima de modo a garantir que entre mortos e feridos morram e sejam feridos apenas os rabos de sempre para que os deles fiquem garantidamente incólumes.

Pra brasileiro tudo bem já que, desde que nascemos, estamos acostumados a comprar carroças por preço de carruagem e pagar três vezes por qualquer coisa pra sustentar Brasília e cia. ltda, e o fazemos sem chiar desde que as prestações caibam naquilo que sobra do nosso salário depois da mordida do Leão.

Mas e os estrangeiros, estarão dispostos a pagar essa conta toda? Quantos desistirão de vir ao Brasil depois de conhecer os nossos preços londrinos por facilidades africanas e o custo do pacote de ingressos depois que o PC do B recolher o seu imposto particular?

É outra conta simples a que resulta da resposta a essa pergunta. Prejuízo essa Copa vai dar de qualquer maneira. Pois se o prejuízo for maior que o esperado, tudo bem, já que quem paga é de qualquer jeito este nosso povo alegre que não faz contas especialmente num mês tão feliz, recheado de feriados, porque jogo de futebol e trabalho ao mesmo tempo é coisa que a nossa infraestrutura de transportes que divide arrecadação com os pecês-do-bês da vida não comporta.

Por conta das queixas de lesa-soberania da Fifa, a UNE aproveitou mesmo foi pra passar o  ”Estatuto da Juventude” em sessão tumultuada da Câmara, lá em Brasília, que estende a meia entrada em cinemas, teatros e eventos esportivos também para as passagens de ônibus intermunicipais, interestaduais e de turismo e, de quebra cria “Conselhos da Juventude” em todos os Estados e nos mais de 5.500 municípios para abrigar mais uma galera da companheirada.

E vamo que vamo que país rico é país sem miséria!

Onde estou?

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