Não é tudo a mesma merda – 2

maio 10th, 2012 § Deixe um comentário

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Em tempo de empreiteira Delta — embora seu pecado seja, infelizmente, comum no meio no qual atua —, vale recordar a Stanley Engenharia, uma das maiores no segmento de manutenção de fachadas prediais do Rio, que completou 31 anos na semana passada. A empresa põe em suas obras, como é o caso desta, uma placa com os dizeres:

A Stanley não dá propina! Se quiser, por favor, não ligue”.

Ricardo Barbosa, que toca o negócio com o irmão Stanley, diz: “Preferimos perder uma obra a participar de qualquer atitude desonesta”. Os irmãos Barbosa vibraram com as denúncias de licitações fraudulentas em hospitais, e agora torcem pelo julgamento do Mensalão, porque “os Três Poderes têm de dar exemplo”.

A Stanley já faz sua parte.

Texto e foto enviados por Carlo Gancia

Viva nóis, viva tudo, viva o Chico Barrigudo!

maio 9th, 2012 § 1 Comentário

O país que, cheio de indignação, processa um PM por jogar spray de pimenta nos olhos de uma cadela agressiva, praticamente ignora os parlamentares que, diante do maior escândalo de corrupção da história do Congresso Nacional, estão jogando pimenta nos olhos do povo, a quem tratam pior que aos cães, para impedi-lo de ver as provas da bandalheira trancadas na sala-cofre do Senado da República.

Trancar as provas de um crime contra o povo e proibir os seus representantes eleitos de “vazar” para os seus representados o nome de quem os está assaltando, sob as penas da lei!?!!

Uai! Mas não devia ser  o contrário?

No Brasil não é.

E só faz sentido uma coisa dessas passar batida numa casa que funciona na base da maioria se houver mais gente no Congresso com culpa no cartório do que os interessados em expor as dos outros.

Do jeito que a coisa vai, estar na lista dos parlamentares expostos com a mão nas águas da cachoeira já está quase soando como uma atenuante; uma prova de que ele só se envolveu em pecadilhos menores e não na conspiração em torno daqueles de que não se pode nem falar.

Mas não é só.

Enquanto a batota do Congresso defende de braços dados a porta da sala-cofre, lá fora a “turma da limpeza” trabalha freneticamente.

A Delta Construções, que é o ventiladorzão que espalha esse barro, por exemplo, está pondo de lado os testas de ferro. A matriz vai assumir inteiramente a “empresa”.

Que Fernando Cavendish que nada! Passa tudo logo praquele açouguezinho do interior que o dr. Jose Dirceu, o BNDES e os fundos de pensão controlados pela barra pesada do petismo transformaram “numa das maiores empresas do mundo” que, de prosaicos bifes de carne de segunda e miúdos de frango passou a vender até usinas hidrelétricas, passando por tudo que está no meio.

Brasília, terra dos milagres!

Já o Planalto teve reação igualmente inequívoca diante do tsunami de revelações das organizações Delta-Cachoeira: de fevereiro para março, enquanto o Congresso discutia a sua CPMI, quadruplicou o valor das despesas com emendas de parlamentares, elevado para R$ 350 milhões, valor que se repetiu em abril.

E o Judiciário? Este atira no Procurador Geral da República e articula para tirar do Ministério Público, que insiste em encher o saco desenterrando podres, o poder de investigar crimes, enquanto no STF trata-se de baixar o fogo da fervura do Mensalão que está cai não cai na prescrição.

E só pra não deixar a peteca no chão, lá está o presidente nacional do PT, “jornalista” Rui Falcão, aquele bonequinho com cara de chupeta que, toda vez que a gente aperta, pede o “controle social” da imprensa.

E viva nóis, vida tudo, viva o Chico Barrigudo!

A industria da favelização

maio 7th, 2012 § 1 Comentário

O Estado de hoje traz editorial super interessante mostrando as razões pelas quais, correndo na direção inversa dos números de redução da pobreza extrema, que entre 1995 e 2008 caiu de 20% para 10% da população e, desde então, caiu mais ainda, a quantidade de brasileiros vivendo em favelas quase dobrou, subindo de 6,5 milhões no ano 2000 para 11,4 milhões em 2012.

A explicação está no fomento à favelização dado por máfias políticas bem organizadas e conhecidas – como, por exemplo a que é controlada pela família Tatto, os reis de Guarapiranga e da Capela do Socorro em São Paulo, hoje muito poderosa dentro do PT - que mantêm-se no poder incentivando a invasão de mananciais e áreas de risco para depois, sob o pretexto de evitar “crises sociais”, venderem por votos a legalização dos lotes e a urbanização das favelas assim formadas.

Reportagem do próprio jornal mostrou que a valorização média de um barraco nas favelas urbanizadas mais centrais de São Paulo foi de 900%. Mas mostrou também o outro lado da moeda. Com o preço de um barraco de quatro a cinco cômodos indo de R$ 15 mil para em torno de R$ 100 mil (mais o IPTU), essas favelas tornaram-se um luxo que os miseráveis que as criaram não podem pagar. Com isso boa parte deles acaba vendendo o que tinha para famílias remediadas e invadindo novas áreas de risco nas periferias.

Essa nova modalidade de “especulação imobiliária” associada à exploração da pobreza, que de maneira nenhuma é exclusividade de São Paulo, está levando à expansão acelerada da favelização em diversos estados brasileiros, apesar da redução do numero de miseráveis.

Não é mais apenas um fenômeno social, portanto. É mais uma florescente indústria criada pela política. Como aquela dos “sem-terra” cujo número crescia exponencialmente quanto mais terra se lhes entregava, que começou a murchar assim que um governo um pouquinho mais honesto houve por bem parar de fabricá-los em série.

Lula já entendeu. Mas…

maio 4th, 2012 § 1 Comentário

No Ritz de Paris, Cabral marca o casamento entre o dono da Delta e Jordana Kfouri que viria a morrer na queda do helicóptero de Fernando Cavendish em Trancoso da qual o governador e seu filho por pouco escaparam mas que também matou sua futura nora

A divulgação dos detalhes das primeiras seções da CPI do Cachoeira confirmam o que foi previsto no artigo de quarta-feira.

O relator petista, seguindo ordens, propôs limitar a investigação da Construtora Delta aos seus contratos na região Centro Oeste do Brasil, uma tentativa constrangedora de tão bandeirosa. Bem traduzida queria dizer “investigue-se apenas Demóstenes e Marconi Perillo; esqueça-se o resto”.

Nem o Congresso Nacional onde todo mundo tem telhado de vidro podia engolir essa com todas as gravações que estão em cartaz neste momento em todos os jornais, rádios e televisões do país.

Já o ex-presidente Collor, aquele que foi escorraçado do Alvorada a pontapés pelo PT, despontou como o guardião do sigilo dos documentos, gravações e filmes guardados no pacote do inquérito do Supremo enviado ao Congresso que, por tudo que se divulgou até agora, incriminam o PT mais que ninguém.

Jordana Kfouri come caviar no Ritz de Paris

Um papel tão carimbado que ele sentiu-se na obrigação de explicar que, ao ameaçar todos os seus colegas com as penas da lei se “passassem informações por baixo dos panos a alguns confrades (repetidor da Globo nas Alagoas que é, ele se julga jornalista) para fazerem delas o uso que lhes convém“, ele não estava tomando uma posição “hipócrita, safada e jaguara” (de “cão ordinário”; de “pessoa de mau caráter e patife”, segundo o Houaiss), mas sim “defendendo a lei“.

O ex-presidente foi freudianamente exato nos adjetivos que selecionou…

Foi aparteado por Miro Teixeira que lembrou oportunamente que “pode vir o despacho (obrigando ao sigilo) da mais ilustre autoridade do planeta (e este veio do sempre genuflexivo ministro Lewandowski) o fato é que manter o sigilo é contrariar diretamente a Constituição“.

Resumiu bem a situação o ex-líder do governo no Congresso, Candido Vaccarezza: “Com tudo que a Polícia Federal já apurou, o único acordo possível é em torno do aprofundamento das investigações. Quem tentar abafar qualquer coisa vai se desmoralizar“.

O governador, seus secretários e o amigo Fernando na porta do Ritz

O próprio Lula, como confidenciou uma fonte do PT a Dora Kramer, do Estadão, já entendeu que o partido será o principal alvo das outras legendas nesta CPI porque é quem mais tem a perder.

Mas cautela e caldo de galinha nunca são demais. O resultado só sai depois que acaba o jogo. A velha raposa é persistente e conhece o poder que tem.

Enquanto a CPI se instalava resistindo às primeiras tentativas de sonegar ao país aquilo que o STF e o acuado Procurador Geral da Republica já sabem que contem o caminhão de lixo das organizações Delta-Cachoeira estacionado na sala-cofre do Senado, o sr. Luís Ignácio Lula da Silva, com a desfaçatez que o caracteriza, aparecia numa cerimônia pública ao lado de ninguém menos que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o mais irretorquivelmente corrupto dos corruptos colhidos em flagrante delito nesta que se anuncia como sendo a safra recorde das roubalheiras jamais desvendadas na história deste país.

Os secretários de Saude e Governo do Estado do Rio de Janeiro e o amigo Fernando (centro)

Cabral, como se sabe, é o pai da Delta, com cujo dono, Fernando Cavendish, costuma farrear em Paris e voar de helicóptero por aí, ainda muito mais que Dilma é a mãe do PAC, de cujas obras essa empreiteira detém 80%.

Lula conta cegamente com o “efeito Teflon” que lhe proporciona o fato de tantos brasileiros lhe atribuírem  responsabilidade direta por estarem desfrutando pequenos confortos básicos nunca antes tidos e havidos, o que em parte é mesmo mérito dele, e dá de ombros para o resto.

Mas desde já está claro até para ele que, longe de apagar a memória dos “malfeitos” do PT para ganhar o poder e comprar apoios apurados no processo do Mensalão, a CPI da Delta-Cachoeira vai mostrar a que nível da estratosfera a associação explícita entre os antigos “paladinos da ética na política” e os collors e sarneys de sempre em defesa da mais ampla, geral e irrestrita impunidade levou a corrupção no Brasil.

Enquanto a CPI era instalada…

O alvo desta CPI

maio 2nd, 2012 § Deixe um comentário

Ao fim de nem tão surda batalha pelo “controle” da CPI do Cachoeira assisti, durante o almoço, ao primeiro passo da momentosa “investigação”, com o senador Vital do Rego, que o PT pôs à frente dos trabalhos, recebendo do STF um envelope selado com nove CDs contendo os 40 volumes do inquérito aberto para investigar o esquema. (É porque nossa justiça é sempre tão “econômica” em palavras, recorde-se, que nenhum processo chega ao fim nestes tristes trópicos).

Tudo (menos o que já se sabe) está, ainda, sob “segredo de Justiça”, conforme frisou o ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo no STF.

Vai daí, diz o senador do Rego, “o primeiro e mais importante trabalho será conferir, entre as quatro paredes da ‘sala-cofre’ adrede preparada no Senado, o que já foi e o que ainda não foi vazado de tudo que foi recebido“…

 

O grosso do que vazou, e é só o que as televisões têm para martelar na cabeça do público por enquanto, é o que atinge o falso cavaleiro da esperança do DEM e o governador do PSDB de Goiás, mais a negociação para a aquisição “de porteira fechada” e por preço de ocasião do partido inteiro daquele gordinho, o tal de Levy Fidelix, hoje de propriedade do PT.

Sabe-se também que tudo isso é só o glacê e que o “bolo” mesmo, aquilo que mede a extensão da metástese da doença brasileira em todos os níveis da politica e da administração pública, são as aventuras e desventuras de Fernando Cavendish e a sua “Construtora Delta”, aquela que está para Carlinhos Cachoeira como a “agência de publicidade” SMP&B de Marcos Valério estava para José Dirceu no esquema do Mensalão.

Mas sobre os contratos que este senhor amealhou, relativos a 80% das obras do PAC filho da Dilma, ainda não vazou detalhe nenhum.

O governador do PMDB do Rio de Janeiro (aquele partido do vice-presidente da Dilma), que criou essa cobra e quase morreu picado por ela meses atrás na Bahia, tomou providências cirúrgicas a esse respeito.

O galante Fernando Cavendish é tido e havido como “o rei” da ex-capital federal onde não ha obra que não seja “dele”. Mas o dr. Sérgio Cabral, que se tornou uma das figuras mais translucidamente transparentes da Republica graças às relações de alto risco que mantem com ele sem proteção, só cuidou de tomar-lhe duas desde que o escândalo começou: a reforma do Maracanã, de R$ 789 milhões, e a Transcarioca, corredor de ônibus que vai do Galeão à Barra de R$ 931 milhões divididos com a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, ambas do PAC filho da Dilma.

O resto, o que é só Rio com Rio, o dr. Cabral segue esperando pra ver como é que fica.

Tudo, portanto, caminha por enquanto em consonância com o padrão do Novo Brasil do PT onde todo mundo “é” e tem sido filmado e gravado “sendo“, mas ganha o jogo quem tem o poder de definir o que vaza e o que não vaza desse vasto e precioso acervo para o conhecimento do distinto público.

Abrir ou não abrir o pacotão do STF, o acervo cinematográfico da Polícia Federal e, muito especialmente, medir a extensão dos tentáculos da Delta é o verdadeiro nome do jogo.

A ver se, escancaradas as porta do Inferno com a instalação da CPI, será possível seguir controlando a diabaiada…

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