“Non duco, ducor”, a Síndrome de Google
janeiro 28th, 2012 § Deixe um comentário
Para todo lado que se olhe, inclusive e especialmente o das democracias, o cenário é desolador.
“Líder”…
Os jornais e as televisões adoram a palavra de que abusam tanto mais quanto menor for a adequação do termo à realidade.
Mas o fato que define o tempo em que vivemos é que eles não existem mais.
Excluído o “Vale tudo por dinheiro” que permeia das religiões televisivas às formas mais íntimas do relacionamento humano, não existe qualquer outro “norte” discernível que seja capaz de por dez gatos pingados na mesma faixa de sintonia.
Do cenário político europeu aos pais diante do desafio da educação dos filhos; da oposição brasileira aos que se confrontam nos impasses que travam a Europa e os Estados Unidos, todo mundo está perdido com exceção dos cínicos cujo rumo se define exatamente em função da falta de rumo dos demais.
Esta é a Era do Google, o moto perpetuo do “é proibido proibir”; a ferramenta matemática de realimentação sem limites (“até além da centésima casa decimal”) de qualquer desejo manifestado.
A humanidade está sem rumo e é proibido que se lhe faça sugestões. E tendo a missão do homem na Terra ficado reduzida a atender “demandas”, é preciso que a política perca o rumo também para não ser apedrejada como elitista e anti-democrática.
“Non duco, ducor”*.
Vivemos a era da inversão “on demand” da antiga máxima de São Paulo.
É assim que, fácil como nunca antes na história deste mundo, o vácuo vai sendo preenchido pelos que fazem tudo por dinheiro ainda mantendo uma aparência de respeito pelas regras, como no universo dos advogados e das grandes corporções, e os que fazem tudo por dinheiro sem respeitar regra nenhuma, como se vai tornando norma no universo virtual.
Políticos, BBBs, mega-piratas, Estados-piratas, estes sim, agora livres e desobrigados pela promoção da covardia ao status de virtude, sabem, como sempre, exatamente onde querem chegar.
Ja a democracia – coitada! – vai sendo arrastada pela Medina, aos trambolhões. Só se levanta o seu outrora santo nome, hoje em dia, para defender a descriminalização da livre predação que rola na internet.
* “Não conduzo, sou conduzido”
Os piores são os “brotherzões” lá em cima
janeiro 19th, 2012 § 2 Comentários
No fim de semana passado, antes desse factóide do “estupro” transmitido ao vivo em que a imprensa toda embarcou como uma otária levando o Ibope para onde a Globo o queria, uma amiga já tinha matado a charada:
“O BBB atrai porque, em muito pouco tempo, revela os traços de caráter dos participantes que a gente leva anos para detectar em amigos que frequentamos apenas por algumas horas de poucos dias por mês em situações normalmente sem nenhum estresse. O programa prende porque é puro comportamento humano em ritimo de filme acelerado”.
É verdade! Bem definido!
Agora, quando os participantes são selecionados em função da sua “opção” sexual ou da sensualidade da sua aparência; quando a declaração de intenção de passar por cima de todas as regras da ética e do pudor é um pré-requisito obrigatório; quando a produção força a barra de todas as maneiras, até com o expediente raso e explícito de não oferecer camas em numero suficiente para todos os participantes para forçar a promiscuidade entre os “jogadores”, o que o programa revela são, principalmente, os traços de caráter dos brotherzões lá de cima, donos da Rede Globo.
PS.: Um participante foi linchado publicamente como estuprador em rede nacional. Horas depois a “vítima” declarou que a relação foi consensual…
Como é que fica?
Depois que essa história rolar na Justiça, periga este BBB entrar para a história como aquele que realmente pagou o maior prêmio jamais “arrancado” de uma televisão brasileira.
Venda de app’s no Natal foi chuva de bilhões
janeiro 4th, 2012 § Deixe um comentário
As vendas de aplicativos para telefones e tablets baixados da rede passaram longe a marca recorde de 1 bilhão de unidades esperada para a semana do Natal. Foram a mais de 1,2 bilhão.
20 milhões de novos aparelhos das famílias Apple (iOS) e Android entraram em funcionamento nessa mesma semana. A estimativa da agência especializada Flurry, inglesa, era de que 245 milhões desses aparelhos estavam em atividade antes da semana do Natal, o que quer dizer que o crescimento do numero de “conectados” foi de 8% só naqueles sete dias.
A agência estimou ainda que 6,8 milhões de novos aparelhos entraram em funcionamento somente no dia do Natal (a Google confirmou que 3,7 milhões de aparelhos motorizados pelo Android entraram no ar durante toda a semana de Natal, o que deixa 16,3 milhões na conta da Apple).
Desse bilhão e duzentos de novos aplicativos os Estados Unidos baixaram 509 milhões (42,3%), a China 99 milhões, a Inglaterra 81 milhões. O Financial Times, de onde tirei a notícia (íntegra aqui), não publicou dados sobre o Brasil.
Os games Angry Bird e Where’s My Water foram os campeões, seguidos pelas adaptações para celular de Monopoly, Scrabble e Trivial Suit.
Entre os aplicativos gratuitos os campeões na Inglaterra foram os novos softs para assistir TV tais como BBC iPlayer, ITV Player e 40D Catch Up. O aplicativo da Skype também estava entre os 10 mais baixados. A Flurry monitora os downloads e o uso de 140 mil aplicativos à venda no Android Market e nas App Stores da Apple.
Deseducando o país
janeiro 3rd, 2012 § 1 Comentário
Metade do Jornal Nacional desta noite foi sobre as enchentes e deslizamentos de Natal e Ano Novo em Minas Gerais e no Norte do Rio.
Literalmente todas as cenas de desabamentos mostradas eram em morros pelados de onde todo vestígio de matas foi arrancado. Os rios, como se pode facilmente deduzir das cenas mostradas, também estão cada vez mais assoreados e entupidos, agravando as enchentes.
E no entanto o jornalismo da Globo não fez nenhuma menção a este pequeno pormenor, o que é uma inestimável contribuição para que a população brasileira continue não estabelecendo nenhuma relação de causa e efeito entre as enchentes e desabamentos e o modo selvagem como ela própria trata os nossos recursos naturais.
Assim não vai!
Essas chuvas anormais e os desastres que as águas provocam ao longo do caminho são desmatamento e represamentos gigantes que se espalham sem nenhum controle pelo país afora, desde a Amazônia, onde elas começam, até Minas e o Rio, onde elas deságuam. Um processo sem precedentes de subversão da geografia.













