Os vendilhões estão de volta ao templo!

maio 18th, 2012 § 2 Comentários

Ontem fui a uma missa de 7º dia na igreja Nossa Senhora do Brasil (SP) e logo na entrada, no primeiro nicho à direita, ali junto à porta onde antes havia um altar em que tinha sempre alguem rezando ou acendendo uma vela, deparo-me com uma “lojinha” de fazer lembrar a estação rodoviária, atulhada de imagens de santos e outros badulaques, com uma mulherzinha sentada, revista no colo, cara de saco cheio, olhando de lado pro bolso das pessoas que rezavam enquanto lá na frente, o padre tentava convencer “aos que a certeza da morte entristece que a promessa da ressurreição consola”…

Eu não sou de religião de igreja. Quando tenho de me entender com deus não aceito intermediários. E, a esta altura do campeonato, achava que nada mais seria capaz de me chocar.

Mas enfiar os vendilhões de volta pra dentro do templo é demais até pro país do Cachoeira!

É caso pra chamar o bispo, de chicote em punho, e por pra fora a ponta-pés esses fariseus.

(Ou será – medo!! – que sua eminência reverendíssima tambem tá levando uma comissão?)

Mateus 21:12-13

E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas.

E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.

Vendo o Brasil na TV

maio 2nd, 2012 § 1 Comentário

É a arte que imita a vida ou a vida que imita a arte?

Ao fim de uma longa noite de feriado vendo o Brasil pela televisão ocorreu-me que as goteiras do Galeão, as compras de Carlinhos Cachoeira e o dicionário de ignomínias que recheiam as “comédias de costumes” da Globo e tratam de retratar/pautar o comportamento moral da família brasileira fazem parte de um todo.

Ou consertamos tudo isso junto ou vai tudo à rasca junto também.

Alguém vai ter de tomar a iniciativa de começar a mudar esse padrão. E é claro que os irmãos siameses politica corrupta x carlinhos cachoeiras é que não vão ser…

O vice-treco do sub-troço

abril 23rd, 2012 § 3 Comentários

Releve a qualidade das legendas…

Video enviado por Sergio Lunardelli Jr.

O sonho de trabalhar na Casa Grande

março 16th, 2012 § 3 Comentários

Hoje estou curado.

Engrossei o couro. Aprendi que para amar o Brasil é preciso ter alma de mulher de malandro e gostar de apanhar; e que só as lutas que não se pode vencer é que valem a pena ser lutadas.

Mas nem sempre foi assim.

Seguindo a temporada de concursos públicos que estão acontecendo em todo o país neste momento, as TVs aberta e fechadas da Globo andaram iluminando aspectos desse outro Brasil, nas últimas duas semanas, que fazem a gente pensar.

Outro dia, já não me lembro em qual, assisti a uma longa especial sobe os “concurseiros“.

Trata-se de uma legião de pessoas sem nenhum tipo de qualificação ou vocação especial que, não interessa muito aonde nem para que função, prestam concursos públicos como quem joga na loteria, onde quer que eles sejam oferecidos pelo país afora.

Um dia eu acabo passando. E aí – tabajara! – meus problemas acabaram. Fico estável e…“.

As entrevistas corriam invariavelmente nessa linha, o que me remetia a um pensamento que, sempre que me assaltava nesses anos todos, jogava-me, entre deprimido e humilhado, para as vizinhanças de uma crise vocacional.

Não sei como anda isso hoje mas, até uns poucos anos atrás, tornar-se funcionário público aparecia no primeiro lugar da lista dos “sonhos de consumo” da juventude brasileira.

Mesmo reconhecendo a possibilidade de haver também aí as famosas exceções que costumam confirmar as regras, não consigo convencer-me de que essa multidão é movida pelo impulso irresistível de servir o povo, especialmente quando olho o vasto retrospecto acumulado nestes quase 40 anos de observação do país da “mamabilidade” institucionalizada.

Vá lá que fosse este o quarto ou o quinto entre os projetos de vida mais sonhados pela juventude brasileira.

Mas o primeiro! É acachapante…

Nascemos para a República e para a Abolição. Vimos lutando ha 137 anos para libertar os brasileiros da escravidão, e não foram poucos os micos que pagamos nem os sapos que engolimos, do primeiro dia até hoje, para levar isso adiante.

E no entanto o que me dizem essas estatísticas? O que me sinalizam os “concurseiros” profissionais, olhados sobre o pano de fundo da eterna coalisão governista que congraça, a esta altura do campeonato, mais de 80% dos nossos representantes em cada Casa do Congresso Nacional?

Que não; que a liberdade não faz parte do sonho do escravo brasileiro. O que ele pede aos santos, disposto a todos os sacrifícios que isso possa custar, é que eles lhe concedam a graça de tornar-se feitor. Ou, quando menos, a de ser aceito para trabalhar na Casa Grande.

Pois é…

Não importa. Vamos em frente. Nós somos poucos mas somos muito e a única coisa decente a fazer é insistir.

Um dia ainda chegaremos lá!

A “Teoria das Janelas Quebradas”

março 14th, 2012 § 2 Comentários

A matéria, em espanhol e sem identificação de autor, foi enviada por Cecília Thompson. Achei oportuno traduzi-la

Em 1969 o professor Philip Zimbardo da Universidade de Stanford (EUA), realizou uma experiência em psicologia social que se tornou clássica. Ele deixou dois carros idênticos abandonados na rua; mesma marca, mesmo modelo, mesma cor. Um foi deixado numa rua do Bronx, um bairro pobre e problemático de Nova York. O outro em Palo Alto, bairro rico e pacífico da Califórnia. Dois carros idênticos abandonados, dois bairros com populações muito diferentes e equipes de especialistas em psicologia social anotando a reação das pessoas em cada um.

O carro abandonado no Bronx começou a ser vandalizado em poucas horas. Roubaram os pneus, o motor, os espelhos, o rádio… Tudo que dava para aproveitar foi levado e o que não dava foi destruído.

Já o carro de Palo Alto permaneceu intacto.

É comum atribuir-se o crime à pobreza. Esquerda e direita costumam concordar nesse ponto. No entanto, a experiência não terminou aí. Passada uma semana os pesquisadores decidiram quebrar um vidro do carro de Palo Alto. E daí por diante o destino dele foi o mesmo do carro do Bronx. Foi vandalizado e depenado até ficar na mesma petição de miséria do carro do bairro pobre de Nova York.

Porque um mero vidro quebrado num carro abandonado em um bairro supostamente seguro é capaz de disparar todo um processo como esse?

Não tem nada a ver com pobreza. É algo que tem a ver com a psicologia das relações sociais.

Uma janela quebrada em um carro abandonado, constataram os controladores da experiência, transmite uma idéia de deterioração, de descaso, de descuido; sugere que os códigos de convivência já estão rompidos; dá idéia de ausência de lei, de normas, de regras; passa a impressão de que nada vale a pena. E a cada novo ataque que o carro sofria, essas idéias iam sendo reafirmadas com a violência se multiplicando até desembocar num frenesi irracional.

Em experiências posteriores (James Q. Wilson e George Kelling) foi desenvolvida a “teoria das janelas quebradas” que, extendida a uma abordagem criminológica, concluiu que o crime é sempre mais frequente em áreas onde a negligência, a sujeira, a desordem e o abuso são maiores.

Se você quebrar uma vidraça da janela de um prédio e deixá-la sem conserto, em breve todas as outras serão quebradas também. Paralelamente, se uma área comunitária começar a mostrar sinais de deterioração e ninguém se importar com isso, a coisa logo evolui do vandalismo para o crime. Se as pequenas infrações como estacionamento em local proibido, excesso de velocidade ou atravessar o farol vermelho não forem coibidas, logo começarão a ocorrer infrações mais graves até a coisa desembocar no crime.

Se um parque ou outro espaço público for se deteriorando e ninguém fizer nada, esses locais irão sendo progressivamente abandonados e ocupados por gangues de marginais até que a vizinhança não saia mais de casa por medo dos criminosos.

No seio da família acontece a mesma coisa. Se um pai deixa sua casa se deteriorar, a pintura das parades descascando, relaxa com a limpeza, fala palavrões, admite a falta de respeito entre os membros da família, logo os filhos estarão fazendo a mesma coisa fora de casa. No limite talvez acabem numa prisão.

O colapso de uma sociedade começa pelo desapego aos valores universais; pela falta de respeito entre seus membros e deles com as autoridades que se expressa pelo suborno e pela corrupção; pela falta de educação e de cidadania.

Estamos criando um país de janelas quebradas – de muitas janelas quebradas – e ninguém parece disposto a fazer nada para consertá-las…

A “teoria das janelas quebradas” foi aplicada pela primeira vez como remédio em meados dos anos 80 no metrô de Nova York, que tinha se transformado no lugar mais perigoso da cidade. Eles começaram a lutar contra as pequenas transgressões: apagar os grafites, limpar as estações, coibir a embriaguez em público, reprimir o ato de pular as catracas, os pequenos furtos e a desordem em geral.

O resultado foi fulminante. O metro de Nova York logo passou a ser um lugar seguro.

Em 1994 o prefeito Rudolph Giuliani resolveu extender a experiência à cidade inteira com a “Política de Tolerância Zero“. A estratégia era criar comunidades limpas e arrumadas não permitindo pequenas transgressões da lei e das regras da boa convivência urbana.

E os legendários índices de criminalidade de Nova York desabaram.

“Tolerância zero” soa como uma receita autoritária e repressiva, mas não é nada disso. Não se trata de linchar os agressores. A “tolerIancia zero”, aliás, vale também para a violência policial. Trata-se de prevenir e de promover a segurança nas ruas.

Não se receita “tolerância zero” para com a pessoa que comete a infração mas sim “tolerância zero” para com a infração em si mesma. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas e que respeitam as leis e os códigos básicos da boa conviviência humana. O resto acontece sozinho.

É bom voltar a lembrar dessa teoria e aproveitar para difundi-la…

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