Um debate sobre democracia e dinheiro
fevereiro 18th, 2012 § 9 Comentários
Retirei os dois textos abaixo do gueto que o WordPress reserva aos comentários de leitores neste modelo de blog porque acho que eles esclarecem muito do que vem sendo discutido no Vespeiro ultimamente e para incentivar outros leitores a entrar nessa discussão.
Eles se referem à matéria “Longe, muito longe, longe mesmo” publicada nesta página.
De Augusto para Fernão Lara Mesquita:
Você deveria se informar melhor. Olha, se tem uma coisa que o Brasil precisa é de jornalista. Desculpe, mas todos os jornalistas — sem exceção — manipulam e distorcem como bem entendem, sempre segundo o seu perfil ideológico.
Que você odeie os juízes, tudo bem. Mas diga isso claramente. Não há problema nenhum. Também não gosto deles. Agora, dizer que a pena máxima a ser aplicada é a aposentadoria é mentira. Você deveria dizer que a aposentadoria é a pena máxima a ser aplicada no campo administrativo. Não quer dizer que ficará por isso mesmo. Ele vai responder civil e criminalmente pelos fatos de que é acusado. E perderá a aposentadoria. Talvez você diga: bom, mas a Justiça é lenta. Então talvez fosse o caso de combater esse problema, a lentidão da Justiça. E se é lenta para ele, é lenta para todos.
Logo, não vejo nada de errado no fato de o tal juiz ter sido apenado, neste momento, apenas com a aposentadoria. Acho que isso está certo, sim. Um juiz precisa ter um mínimo de garantia para o exercício da jurisdição. É preciso reconhecer que não se trata de uma profissão comum. Aliás, juiz não é nem profissão para começo de conversa. Esse negócio de querer pôr todo mundo no mesmo balaio é uma grande besteira. É evidente que existem atividades mais importantes que outras. Importantes não no sentido da vaidade, obviamente. Não existe nenhuma sociedade sem que tenha uma ordem jurídica estabelecida. E cabe aos juízes assegurar a integridade e a autoridade dessa ordem. A garantia de só perder o cargo por sentença judicial é, antes de mais nada, uma garantia da própria sociedade, não das pessoas que ocupam os cargos. Ela não serve para proteger o juiz que comete crime. Serve para proteger o juiz que tem conduta ilibada. Não fosse isso, estaríamos falando de uma Bolívia, de um Equador ou de uma Venezuela da vida, onde vários juízes foram destituídos pelos déspotas que governam esses países.
Gente que não presta tem em todo lugar. E, olha, no Estado — por incrível que parece — tem bem menos que no setor privado. Aí alguém logo pode dizer: bom mas no Estado o cara tem de prestar contas, mexe com o dinheiro público, etc., etc.. Ora, essa coisa de apenas os servidores públicos terem o dever de ser éticos e honestos é impensável no mundo atual. Vejam o exemplo da crise financeira. Foi gerada no setor privado, justamente devido às fraudes que se instalaram no mercado financeiro. Ou seja, tanto a corrupção (Estado), quanto a fraude (inciativa privada) geram consequências danosas ao conjunto da sociedade. Aliás, o setor privado hoje, devido ao seu gigantismo contemporâneo, é muito mais importante que o próprio Estado. As práticas empresariais lesivas geram mais danos que as do Estado. Isso é fato.
Repito, gente que não presta tem em todo lugar. Aliás, quanto maior o nível de instrução, quanto melhor o nível social, maior é a corrupção e maior é a tolerância às ações desonestas. Não sou eu quem digo. Há muito estudioso que prova isso. Nas camadas mais abastadas da sociedade é que estão as pessoas mais desonestas e mais criminosas, pois para o pobre a honestidade é um valor importante em si mesmo, diferentemente do rico, que, como não depende dela para suas relações sociais, lhe confere pouco ou nenhuma importância. O rico não precisa ser honesto para se relacionar com outras pessoas, não precisa ser honesto para conseguir um emprego, não precisa ser honesto para conseguir um empréstimo, etc., etc. Mas não é por que existem juízes corruptos, que se vai destruir todo o alicerce que garante aos juízes honestos a liberdade de poder proferir decisões justas e fundadas na lei.
Mas não sei por que eu perco o meu tempo aqui.
Resposta de Fernão Lara Mesquita
Prezado Augusto,
Vamos por partes como diria o esquartejador de Londres:
1 – “…todos os jornalistas – sem exceção – manipulam e distorcem como bem entendem…”
Esta eu vou responder com uma frase sua:
“Esse negócio de querer pôr todo mundo no mesmo balaio é uma grande besteira”.
O problema com os jornalistas é que eles pensam em voz alta e deixam escrito o que pensaram. E se o ato de manifestar publicamente um pensamento sempre pressupõe uma escolha, também inclui um convite para o debate.
Afinal, pode-se sempre descrer da humanidade o bastante para ficar calado explorando a falha detectada na regra, como fazem os cínicos que em geral enriquecem com isso, em lugar de denunciá-la pedindo conserto como fazem os jornalistas movidos por critérios menos pragmáticos.
2 – Argumentar é considerar as outras hipóteses para demonstrar a superioridade da sua. E isto é o maximo que se pode oferecer como prova de honestidade intelectual.
O resto vai por conta de quem lê.
Com esta respondo também à sua última frase, que prefiro tomar como um elogio: você “perde seu tempo aqui” porque, no fundo no fundo, algo lhe diz que você não perde seu tempo aqui…
3 – Meu artigo não é uma crítica à necessidade de haver um julgamento administrativo antes do julgamento pela Justiça comum para membros do Judiciário. É uma crítica ao estado de rebelião em que o Judiciário se colocou nesses meses todos para garantir que esse “amortecedor” continuassse sendo a muralha inexpugnável em que as corregedorias dos tribunais o transformaram, de dentro da qual os “bandidos de toga” saqueiam diretamente a Nação ou vendem impunidade a quem o faz.
A comparação sugerida com o uso que aqueles legisladores e partidos políticos cujas práticas confundem-se com as da mafia fazem da imunidade parlamentar procura reforçar esse ponto.
A imunidade contra a ingerência política é uma necessidade. O abuso dessa imunidade é duplamente criminoso, tanto para políticos quanto para juízes. É prova de dolo em crime com alcance sistêmico. Por isso deveria ser triplamente penalizado.
4 – Deixemos de lado a existência de foros especiais – que os há para muitos mas nenhum tão especial quanto os que há para membros do Judiciário.
Mas um olhar, ainda que seja só de esguelha, para o que o CNJ ou o Coaf já levantaram e o numero de juízes (e políticos) nas nossas prisões indica que não sou um caluniador quando digo que os juízes não se esquecem de que eles poderão ser os próximos quando julgam judicialmente um ex-colega pego prevaricando.
Criminosos dessas origens estão totalmente ausentes de nossas prisões, alias, em função da exploração contumaz do garrote dos prazos, outra arma que, como você sugere, só serve para o mal e, no entanto, continua existindo única e exclusivamente porque o Judiciário quer dispor dela e a cultiva com o máximo de zelo.
Faz isso não só pelo que ela pode fazer pelos coelgas e políticos que são pegos em flagrante e podem ir a julgamento mas, especialmente, pelo que ela pode fazer pelo bolso dos que têm o poder de usá-la a favor de qualquer um que possa pagar por essa via de fuga.
5 – O Vespeiro orgulha-se de ser o espaço onde ha mais tempo e com maior insistência se vem denunciando e discutindo o alcance crescente da corrupção privada e a ameaça para a democracia representada pelo novo conluio entre Capital e Estado impulsionado pela competição com o Capitalismo de Estado chinês.
Ninguém valoriza mais o papel do Estado como força controladora – e não como o sócio preferencial ou a força coadjuvante do Capital em que se transformou globalmente – do que este arauto das legislações antitruste, ponto máximo das conquistas democráticas, que vos fala.
Folheie e verá.
Agora, dizer que há menos gente que não presta no Estado que no setor privado…
Até ha poucos anos eu acreditava que a próxima rodada da luta pelos direitos civis deveria se dar na legislação de sociedades anônimas para que os minoritários pudessem exercer maior controle sobre quem opera as corporações às quais eles, via Bolsas de Valores, confiavam suas aposentadorias nos países mais avançados.
Com o Capital associado ao Estado não acredito mais que isso possa funcionar. Exatamente porque é de quantidade de dinheiro e não de qualidade de gente que estamos falando.
A História me diz que, como regra geral, é uma coisa (a quantidade de dinheiro) que faz a outra (a qualidade da gente). Ha exceções, é claro. Mas dê uma olhadinha no PT de ontem e no de hoje se estiver demorando a entender este ponto.
Gente com fome não pode se dar o luxo de pensar em direitos. Gente empanturrada de dinheiro idem, pela razão contrária. Para quem precisa de direitos, a diferença é nenhuma. O acovardamento das democracias diante da crise econômica, consequência da disputa entre o trabalho escravo do Capitalismo de Estado e o trabalho remunerado e protegido por direitos do Capitalismo Democrático é prova disso.
Por isso prefiro garantir que ninguém, senão um ente institucional apenas (impessoal), possa manipular dinheiros grandes o suficiente para ameaçar os outros, que é o que as legislações antitruste se propunham fazer e fizeram com razoavel eficácia nos países em que de fato vigoraram ainda que por um curto espaço de tempo no século passado.
Levamos milhões de anos para conseguir “cercar”, mal e mal, o Estado. É provavel que levemos centenas de milhões para cercar centenas de novos pequenos Estados (corporações gigantes com budgets de centenas de bilhões) espalhados pelo mundo mas associados na perseguição desse tipo de “eficiência” que se mede pelo corte de custos (leia-se pela supressão de direitos).
É mais fácil, eficiente e seguro para todo mundo retomar a trilha perdida das legislações antitruste e voltar a separar o Estado do Capital encarregando um de fiscalizar o outro.
Mesmo porque não existe outra força na Natureza capaz de enfrentar o poder do dinheiro (ou, mais modestamente, de impor um controle social ao poder do dinheiro) com um mínimo de eficiência.
Com o Estado e o Capital correndo juntos atras de dinheiro sobra zero de espaço para a liberdade.
Por tudo isso, meu caro Augusto, constato que estamos mais próximos que distantes senão quanto às conclusões a que já chegamos, ao menos no que diz respeito às razões que nos movem, que é o que importa, e que, por isso, também eu não perco meu tempo ao lhe responder.
Esta é a China, a onda na qual surfa a economia do Brasil do PT
fevereiro 2nd, 2012 § 1 Comentário
Enviado por Ruy Mesquita Filho
Se você quer entender como a corrupção do Partido Comunista Chinês leva à construção dessas cidades-fantasma e como isso pode afetar o Brasil, veja neste link a matéria publicada no Vespeiro em 20 de agosto de 2010.
Romário melhor que a encomenda
janeiro 25th, 2012 § 2 Comentários
Nunca simpatizei muito com o Romário.
Eu estava errado. O cara é melhor do que eu pensava.
Veja a entrevista que ele deu ao repórter Cosme Rímoli, da TV Record.
Você foi recebido com preconceito em Brasília?
Olha, vou ser claro para quem ler entender como as coisas são. Há o burro, aquele que não entende o que acontece ao redor. E há o ignorante, que não teve tempo de aprender. Não houve preconceito comigo porque não sou nem uma coisa nem outra.
Mesmo tendo a rotina de um grande jogador que fui, nunca deixei de me informar, estudar. Vim de uma família muito humilde. Nasci na favela. Meu pai, que está no céu, e minha mãe ralaram para me dar além de comida, educação. Consciência das coisas…
Não só joguei futebol. Frequentei dois anos de faculdade de Educação Física. E dois de moda. Sim, moda. Sempre gostei de roupa, de me vestir bem. Queria entender como as roupas eram feitas.
Mas isso é o de menos. O que importa é que esta sede de conhecimento me deu preparo para ser uma pessoa consciente… Preparada para a vida.
E insisto em uma tese em Brasília, com os outros deputados. O Brasil só vai deixar de ser um país tão atrasado quando a educação for valorizada. O professor é uma das classes que menos ganha e é a mais importante. O Brasil cria gerações de pessoas ignorantes porque não valoriza a Educação. E seus professores.
Não há interesse de que a população brasileira deixe de ser ignorante. Há quem se beneficie disso. As pessoas que comandam o País precisam passar a enxergar isso. A Saúde é importante? Lógico que é. Mas a Educação de um povo é muito mais.
Essa ignorância ajuda a corrupção? Por exemplo, que legado deixou o Pan do Rio?
Você não tenha dúvidas que a ignorância é parceira da corrupção.
Os gastos previstos para o Pan do Rio eram de, no máximo, R$ 400 milhões. Foram gastos R$ 3,5 bilhões.
Vou dar um testemunho que nunca dei. Comprei alguns apartamentos na Vila Panamericana do Rio como investimento. A melhor coisa que fiz foi vender esses apartamentos rapidamente.
Sabe por quê?
A Vila do Pan foi construída em cima de um pântano. Está afundando. O Velódromo caríssimo está abandonado. Assim como o Complexo Aquático Maria Lenk… É um escândalo! Uma vergonha! Todos fingem não enxergar.
Alguém ganhou muito dinheiro com o Panamericano do Rio.
A ignorância da população é que deixa essa gente safada sossegada. Sabe que ninguém vai cobrar nada das autoridades. A população não sabe da força que tem.
Por isso defendo os professores. Não temos base cultural nem para entender o que acontece ao nosso lado. E muito menos para perceber a força que temos.
Para que gente poderosa vai querer a população consciente? O Pan do Rio custou quatro vezes mais do que este do México. Não deixou legado algum e ninguém abre a boca para reclamar.
Se o Pan foi assim, a Copa do Mundo no Brasil será uma festa para os corruptos…
Vou te dar um dado assustador. A presidente Dilma havia afirmado quando assumiu que a Copa custaria R$ 42 bilhões. Já está em R$ 72 bilhões. E ninguém sabe onde os gastos vão parar. Ningúem.
Com exceção de São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul e olhe lá…Pernambuco… Todas as outras sete arenas não terão o uso constante. E não havia nem a necessidade de serem construídas.
Eu vi onze das doze… Estive em onze sedes da Copa e posso afirmar sem medo. Tem muita coisa errada. E de propósito para beneficiar poucas pessoas.
Por que o Brasil teve de fazer 12 sedes e não oito como sempre acontecia nos outros países?
Basta pensar. Quem se beneficia com tantas arenas construídas que servirão apenas para três jogos da Copa?
É revoltante! Não há a mínima coerência na organização da Copa no Brasil.
São Paulo acaba de ser confirmado como a sede da abertura da Copa. Você concorda?
Como posso concordar? Colocaram lá três tijolinhos em Itaquera e pronto… E a sede da abertura é lá. Quem pode garantir que o estádio ficará pronto a tempo?
Não é por ser São Paulo, mas eu não concordaria com essa situação em lugar nenhum do País. Quando as pessoas poderosas querem é assim que funcionam as coisas no Brasil.
No Maracanã também vão gastar uma fortuna, mais de um bilhão. E ninguém tem certeza dos gastos. Nem terá. Prometem, falam, garantem mas não há transparência.
Minha luta é para que as obras não fiquem atrasadas de propósito. E depois aceleradas com gastos que ninguém controla.
O que você acha de um estádio de mais de R$ 1 bilhão construído com recursos públicos? E entregue para um clube particular?
Você está falando do estádio do Corinthians, não é?
Não vou concordar nunca.
Os incentivos públicos para um estádio particular são imorais. Seja de que clube for. De que cidade for. Não há meio de uma população consciente aceitar. Não deveria haver conversa de politico que convencesse a todos a aceitar.
Por isso repito que falta compreensão à população do que está acontecendo no Brasil para a Copa.
A Fifa vai fazer o que quer com o Brasil?
Infelizmente, tudo indica que sim. Vai lucrar de R$ 3 a R$ 4 bilhões e não vai colocar um tostão no Brasil.
É revoltante.
Deveria dar apenas 10% para ajudar na Educação. Iria fazer um bem absurdo ao Brasil.
Mas cadê coragem de cobrar alguma coisa da Fifa? Ela vai colocar o preço mais baixo dos ingressos da Copa a R$ 240,00. Só porque estamos brigando pela manutenção da meia entrada.
É uma palhaçada!
As classes C, D e E não vão ver a Copa no estádio. O Mundial é para a elite. Não é para o brasileiro comum assistir.
Ricardo Teixeira tem condições de comandar o processo do Mundial de 2014?
Não tem de saúde. Eu falei há mais de quatro meses que ele não suportaria a pressão.
Ser presidente da CBF e do Comitê Organizador Local é demais para qualquer um. Ainda mais com a idade que ele tem.
Não deu outra! Caiu no hospital. E ainda diz que vai levar esse processo até o final.
Eu acho um absurdo.
Muito além da saúde de Ricardo Teixeira. Você acha que pelas várias denúncias, investigações da Polícia Federal… Ele tem condições morais de comandar a organização Copa no Brasil?
Não. O Ricardo Teixeira não tem condições morais de organizar a Copa. Não até provar que é inocente. Que não tem cabimento nenhuma das denúncias. Até lá, não tem condições morais de estar no comando de todo o processo. Muito menos do futebol brasileiro…
A África apresentou há alguns meses atrás o resultado final da Copa do Mundo: deu prejuízo e grande. Agora é a vez do Brasil.
Fifa, CBF, políticos e os empreiteiros vão ganhar muito dinheiro. E o povo? Nada como sempre!
Apenas terá a obrigação de contribuir para pagar a conta.
Quem teve a idéia de promover, o evento em nosso país, alguém sabe? O Brasil é uma farsa, como sempre irá jogar a sujeira para debaixo do tapete.
Entrevista enviada por Gustavo dos Reis Filho
Venda de app’s no Natal foi chuva de bilhões
janeiro 4th, 2012 § Deixe um comentário
As vendas de aplicativos para telefones e tablets baixados da rede passaram longe a marca recorde de 1 bilhão de unidades esperada para a semana do Natal. Foram a mais de 1,2 bilhão.
20 milhões de novos aparelhos das famílias Apple (iOS) e Android entraram em funcionamento nessa mesma semana. A estimativa da agência especializada Flurry, inglesa, era de que 245 milhões desses aparelhos estavam em atividade antes da semana do Natal, o que quer dizer que o crescimento do numero de “conectados” foi de 8% só naqueles sete dias.
A agência estimou ainda que 6,8 milhões de novos aparelhos entraram em funcionamento somente no dia do Natal (a Google confirmou que 3,7 milhões de aparelhos motorizados pelo Android entraram no ar durante toda a semana de Natal, o que deixa 16,3 milhões na conta da Apple).
Desse bilhão e duzentos de novos aplicativos os Estados Unidos baixaram 509 milhões (42,3%), a China 99 milhões, a Inglaterra 81 milhões. O Financial Times, de onde tirei a notícia (íntegra aqui), não publicou dados sobre o Brasil.
Os games Angry Bird e Where’s My Water foram os campeões, seguidos pelas adaptações para celular de Monopoly, Scrabble e Trivial Suit.
Entre os aplicativos gratuitos os campeões na Inglaterra foram os novos softs para assistir TV tais como BBC iPlayer, ITV Player e 40D Catch Up. O aplicativo da Skype também estava entre os 10 mais baixados. A Flurry monitora os downloads e o uso de 140 mil aplicativos à venda no Android Market e nas App Stores da Apple.
Sobre ladrões e pontes
dezembro 15th, 2011 § 2 Comentários
Em meados deste ano o governo da China inaugurou a ponte da baía de Jiaodhou, que liga o porto de Qingdao à ilha de Huangdao.
Construído em quatro anos, o colosso sobre o mar tem 42 quilômetros de extensão, inúmeros acessos por vias elevadas, sistema de elevação para a passagem de navios, e duas ilhas artificiais com equipamentos de turismo e lazer.
Custou o equivalente a R$2,4 bilhões.
Também este ano, o DNIT escolheu o projeto da nova ponte do Guaíba, em Porto Alegre , uma das mais vistosas promessas da candidata Dilma Rousseff.
Confiado ao Ministério dos Transportes, deverá ficar pronta em quatro anos. Com 2,9 quilômetros de extensão, vai engolir R$ 1,16 bilhões.
Intrigado, o matemático gaúcho Gilberto Flach resolveu estabelecer algumas comparações entre a ponte do Guaíba e a chinesa. O jornal Zero Hora publicou o espantoso confronto númerico resumido no quadro abaixo:
Os números informam que, se o Guaíba ficasse na China, a obra seria concluída em 102 dias, ao preço de R$ 170 milhões. Já se a baía de Jiadhou ficasse no Brasil, a ponte não teria prazo para terminar e seu custo seria calculado em trilhões.
Como o Ministério dos Transportes está arrendado ao PR, financiado por propinas, barganhas e permutas ilegais, o País do Carnaval abrigaria o partido mais rico do mundo.
Outra ponte recém anunciada no Brasil com pompa, circunstância e cocares é a que o PT quer lançar sobre o Rio Negro. Com 3,6 km de extensão, foi orçada em R$ 574,8 milhões mas já consumiu, por enquanto, R$ 1,07 bilhão, o dobro do previsto. O custo por km já está, portanto, em R$ 297,5 milhões, três vezes o da ponte chinesa.
Vamos ver a quanto vai chegar até o fim da festa.
Corruptos existem nos dois países, mas só o Brasil institucionalizou a impunidade.
Dia 19/07/11, o Tribunal chinês sentenciou à morte dois prefeitos que estavam envolvidos em desvio de verba pública.
Adotada esta prática no Brasil, teríamos que eleger um Congresso por ano.

































