Quem quer carisma?
29 de março de 2010 § 3 Comentários

São Paulo vai de Alkmin, o “picolé de chuchu”, diz o Datafolha hoje. E de Serra, “o feio”, como já tinha mostrado na semana passada.
Bom saber!
São Paulo já está no século 21. Ou pelo menos na metade final do 20. A tragédia é que uma boa parte do Brasil ainda vive na Idade Média.
Mesmo em São Paulo ouço o dia inteiro, até de gente supostamente inteligente e alfabetizada, que o Serra não tem carisma nenhum; que é antipático; que assim não dá, etc. e tal. E o pior é que a maior parte dessa turma não está falando isso friamente ou apontando a incapacidade de “apelar” do Serra como uma qualidade. Tá mesmo é balançando pro lado do Lula.
Um dia o Brasil inteiro ainda vai aprender a votar em quem não tem carisma exatamente porque não tem carisma.
Veja o que diz o Houaiss, no seu pai dos burros. Carisma s.m. 1 dom extraordinário e divino concedido a um crente ou grupo de crentes para o bem da comunidade; 2 autoridade, fascinação irresistível exercida sobre um grupo de pessoas, supostamente proveniente de poderes sobrenaturais; 3 conjunto de habilidades e/ou poder de encantar, de seduzir, que faz com que o individuo (p.ex. um cantor, um ator) desperte de imediato a aprovação e simpatia das massas; 4 por extensão, fascínio, fascinação; sinonímia de epilepsia.
Só um trouxa ou um ignorante primitivo e esfomeado, coitado, escolhe quem vai determinar se o país vai continuar se pautando pela lei ou se vamos entrar de vez no “quem pode mais chora menos”; se o que você construiu na vida vai ser mesmo seu ou se qualquer um vai poder arrancar as suas calças no meio da rua impunemente; se os seus filhos vão evoluir, digamos, para um Chile, ou se vamos baixar pra uma Venezuela, em função desse tipo de predicado.

Carisma é bom pra chefe de bando ou pra animador de programa de domingo e não pra quem quer ser presidente da Republica. Ainda mais se você vive num país onde as instituições não valem nada e as pessoas é que acabam mandando em tudo.
Viver de carisma, ainda por cima, é um processo deformante. O carismático é um sujeito de ego faminto que só consegue medir quanto vale pela reação dos outros. Busca o sucesso automático, sem mediação racional. Por isso não tem de se cultivar, não tem de melhorar como ser humano, não tem de usar critério no que faz. Tem apenas de usar truques para provocar a reação do publico, e do maior publico possível, custe o que custar. Acaba se transformando em uma espécie de dependente que tem sempre de inventar novas macaquices para chamar a atenção. E isso o leva inevitavelmente ao sensacionalismo. O sujeito tem de “apelar” cada vez mais para fazer-se notar. E cada vez que acerta piora o quadro porque alimenta o seu ego trip e baixa ainda mais o seu senso crítico.
É o processo, enfim, que leva a TV aberta a ser o que ela é…
A liás, não é por acaso que o Chávez e o Lula se parecem tanto com animadores de programa de domingo. Andam sempre fantasiados (Lula, agora, fissurou no terninho bolivariano versão quéchua), não saem um minuto da televisão, fazem qualquer papel para derrubar a concorrência, só agem em função do medidor de Ibope e, quando a audiência começa a cair, logo se põem a gritar “Quem qué dinheirôôôôôôôô”.
O problema é que, em se tratando de presidencias de republicas institucionalmente imaturas, esses caras, quando chegam “lá”, fecham a concorrência na marra e continuam te obrigando a engolir as gracinhas deles até muito tempo depois que voce já parou de rir…

Infelizmente, as pessoas votam com base no impulso emocional.
A decisão é por gosto, simpatia ou antipatia, mesmo em sociedades cultas e educadas. O que dizer aqui, neste inferno primitivo…
As decisões racionais são exclusivadade de miniorias e na minoria dos casos, em todas os aspectos da vida e também nas eleições.
É assim que eu sinto como as coisas são.
Não tem duvida que v esta certo, Tony.
Mas as melhores lutas são as que não dá pra ganhar, né mesmo?
CADA VEZ MELHOR,”SEU FERNAS”!!!