Raízes da impunidade – 1
agosto 11th, 2009 § Deixe um comentário
Tambem no Valor de hoje, a notícia de que o Supremo Tribunal Federal está adotando metas de gestão “como se fosse uma empresa privada”. Elegeram 30 metas para serem atingidas em cinco anos em “quatro dimensões”: financeira, processual, dimensão cliente (!!) e aprendizagem e inovação.
Quem ler a lista completa verá que eles sabem muito bem tudo que não estão fazendo e deveriam fazer. Só que, profilaticamente, abriram mão do principal ingrediente dessa receita: não ha pêmios para quem atingir as metas, nem, muito menos, sanções para quem não atingir.
E, como você, caro leitor, bem sabe, é aí que a coisa pega.
Tome você mesmo como parâmetro. Você trabalha porque não tem alternativa. Se não trabalhar, não ganha, não come, não mora. Pra dizer as coisas resumidamente, não vive no mundo de hoje. Você continua trabalhando se e quando produz melhor que a média, ou trocam você por outro. Eventualmente você trabalha ainda mais porque seu patrão é suficientemente inteligente para saber, a esta altura do campeonato, que prêmios por metas fazem muito mais pela melhora da produção do que gerentes incompetentes fiscalizando os outros.
Nada de novo. Sempre foi assim, desde que o homem ainda era o bicho que continua sendo, mas com cara de bicho mesmo: quem não caçasse todo santo dia, ia enfraquecendo e acabava sendo caçado.
Almoço gratis, só mesmo em Brasília.
Lá, as pessoas têm emprego mas não têm, necessariamente, trabalho. Todo mundo, na hora que põe um pé dentro do serviço publico, em geral graças ao belo gesto de um Sarney da vida, sabe que nunca mais ninguem tira ele de lá. Eles são “estáveis”, o que explica porque a vida aqui fora tem de ser tão instavel. Ninguem é promovido por mérito. Você progride na carreira ou apenas deixando o tempo passar (e não muito tempo porque lá as aposentadorias vêm muito mais cedo que a sua), ou puxando o saco do chefe, em geral um cara que está lá ha mais tempo que você ou que jogaram por cima da sua cabeça pra roubar para o poderoso que o conectou a essa têta.
Assim, sobe na carreira mais rápido apenas e tão somente quem se tornar cumplice do chefe…
O Serra, pelo menos, está tentando fazer promoções por mérito na área de educação, atrelando o aumento do salário dos caras ao cumprimento de metas. Demitir ele não pode porque a Constituição (feita por eles) não deixa. Mas ao menos andar pra cima na carreira, fica condicionado a desempenho.
No Supremo Tribunal da Nação, nem isso. Lá onde a Justiça é cega, eles estão só brincando de ser sérios. E desde já fica todo mundo sabendo que só entra na brincadeira quem quiser.
Gastei todo esse palavrório só para lembrar o que todo mundo já deveria saber: o foco da corrupção que arrasa este país, como ficou claro mais uma vez nesta ultima “Comedinha” do Gran Circo do Senado Federal, está no irrestrito poder de delegar poder desfrutado por todo e qualquer politiquinho de esquina país afora, de forma totalmente desconectada com qualquer critério que não seja o da cumplicidade ampla, geral e irrestrita com o padrinho.
A velha regra da máfia, enfim.
O descalabro todo vem disso, potencializado ao infinito pela certeza da indemissibilidade. Uma vez tocado pela mão de uma dessas figurinhas trêfegas, o cara começa imediatamente a cagar na sua cabeça. Sabe que virou um ser especial, intocavel, fora do alcance da Justiça, que pode fazer tudo que bem entender, impunemente.
Todo o resto é mera consequência, e não terá conserto enquanto não forem eliminadas essas duas causas fundamentais da doença que faz apodrecer o corpo da Nação brasileira.
E tenho dito!
Aproveita pra respirar porque o sufoco vem aí…
agosto 11th, 2009 § Deixe um comentário
O Valor de hoje noticia em manchete que, em plena crise global, o setor automotivo brasileiro está entrando na terceira onda de investimento dos fabricantes mundiais. Os planos anunciados de investimentos das montadoras que ja atuam no país somam US$ 12 bilhões, de olho no crescimento do mercado interno. Enquanto o resto do mundo cai, o Brasil subiu cinco posições – do 10º para o 5º maior volume de vendas anuais.
Foi só o governo desapertar um pouquinho o pescoço do consumidor, aliviando o IPI, e o milagre aconteceu.
As duas primeiras ondas aconteceram nas décadas de 50, quando a industria se instalou no país, e 90, quando os governos estaduais reduziram os impostos para as novas fábricas que decidissem vir para o país.
Ou seja, fica provado, mais uma vez, que o excesso de impostos é o maior fabricante de miséria no Brasil, e que basta aliviá-los para que o país cresça e enriqueça.
Só que, aí, vai ficar mais dificil comprar votos com mesadas para os miseráveis. Logo, você pode esperar: passada a eleição, eles vão apertar de novo, e quando o resultado inevitavel vier – ou seja, mais enriquecimento da casta que mora na “metrópole”, lá em Brasília, e mais empobrecimento da “colônia”, aqui fora - tome bolsa família, o que vai requerer mais impostos ainda.
E assim vamos nos arrastando, com curtos respiros entremeados de longos períodos de sufocação, de eleição em eleição…
Sobre pesos e medidas
agosto 7th, 2009 § Deixe um comentário
Um dia depois que o Paulo Duqurime arquivou todas as acusações contra Zé Sarnento no Conselho de Ética e apenas minutos depois que o Renan Porcalheiros mandou Tasso Jereissati à merda do alto da tribuna, o funcionário do Banco Central, Breno Santa Cruz Freitas foi preso e indiciado por “desacato à autoridade” por ter gritado palavras pouco elogiosas pra Zé Sarnento num dos corredores do Senado.
A ver se será ou não demitido…
Suru…..ru
agosto 7th, 2009 § Deixe um comentário
Lula que amava Collor, que amava Sarney, que amava Renan, que amava Jucá…
Ou esse pessoal começa a fazer sexo seguro ou uma epidemia ainda acaba devastando o Senado.
Menno male…
Foi engano não. A lógica é essa mesmo: “Para os amigos, tudo; para os inimigos, a lei”. Desde o Getulio, que foi o professor deles todos.
Menno male que dessa vez o inimigo deles é inimigo nosso tambem…
Tudo meu!
E o Kassab que liberou propaganda nas ruas, mas só pro bolsinho dele!
Nos 8.800 pontos de onibus e nos mil relógios da Prefeitura, póóóóódi…
Festa no arraiá
Mais uma maracutaia gigante está sendo armada lá no grande sertão.
Trata-se de estabelecer em que data morreu o crédito prêmio do IPI para exportadores, criado pelos militares.
Valor da patranha: R$ 200 BI!!!
Mas, alto lá! A coisa vai ser dividida democraticamente: para que os empresários que armaram o circo ganhem o deles, vai ser necessária aprovação do Legislativo e do Judiciário…
O Renan da CPI da Petrobras
agosto 7th, 2009 § Deixe um comentário
O Romero Jucagada é o Renan Porcalheiros da CPI da Petrobrás.
Ontem ele abriu os trabalhos barrando 66 dos 88 requerimentos sumetidos à comissão, começando pelo que pedia a investigação dos patrocínios da Petrobras para a Fundação (Mausoléu do) Sarnento e seguindo pela convocação de Lina Vieira, a diretora da Receita Federal que o Ulula demitiu porque ela ousou contestar o trambique que a petroleira tentou dar (e conseguiu) no Imposto de Renda (mais de 4 bi) com um truquezinho contabil mambembe.
Para as poucas convocações que houve por bem não barrar, Jucagada emitiu “convites” para os acusados irem depor, se assim preferirem.
No país do Zé Sarnento é assim: Liminares e intimações pra quem acusa, prisão para quem vaia e educados convites (recusaveis, é claro) para quem é acusado…





