O companheiro Sarney de ontem e o de hoje
31 de agosto de 2009 § Deixe um comentário
Alô, Rede Globo!
Cadê os seus 40 anos de arquivo?
Alô, alô Bandeirantes! Alô emissários de deus! Alô homem do baú!
Tem alguma coisa de diferente entre vocês?
Não?!
E o que é que os une?
Os sócios, caro leitor! Os sócios!
São todos senadores!
“Zé Sarney tambem faz parte dos nossos 40 anos”.
“Fernando Collor tambem faz parte dos nossos 40 anos”.
Né mesmo, Willian Bonner?
A lista vai embora. E pra todas as redes. A cada uma o seu bandinho de “coronéis eletrônicos”.
“Uma imprensa cínica, mercenária e demagógica vai produzir, com o tempo, um povo parecido com ela.” Palavras de Joseph Pulitzer, gravadas na entrada da Columbia Journalism School.
Pois é…
Ganhando bilhões na moleza
19 de agosto de 2009 § Deixe um comentário
Pode ser que a economia ajude a eleger Lula — digo, Dilma — de novo.
Mas a cada dia que passa, acumulam-se os sinais de que o preço será esmagador.
Os jornais de hoje informam que o rombo da Previdência aumentou 35,5% em um ano. R$ 24, 69 bilhões de diferença entre o que ela recebeu e o que pagou, em seis meses. Crescimento explosivo dos empregos publicos, aumentos eleitoreiros do salário mínimo. A receita de sempre, enfim…
Do outro lado, o “fortalecimento do Real” que o presidente Lula tanto comemora vai tendo a sua verdadeira causa revelada. Como os países centrais abaixaram suas taxas de juro para quase zero e o Brasil continua pagando o que paga, todas as aves de rapina do planeta estão aderindo à ciranda de bilhões que o mercado financeiro chama, eufemisticamente, de “arbitragem”: tomam empréstimos nos países onde a taxa de juro é quase zero e “investem” onde as taxas são altas, embolsando a diferença sem fazer força.
Esse tipo de operação praticamente tinha desaparecido no auge da crise, quando as oscilações cambiais tornaram tal procedimento muito arriscado. Agora que tudo se estabilizou, esta vai se transformando na grande mina de ouro dos famigerados “hedge funds”.
O resultado imediato é a desvalorização das moedas que esses “investiores” tomam emprestadas e a valorização daquelas sobre as quais desaguam o que tomaram na outra ponta.
E quem paga a conta? O exportador brasileiro; ou seja, a produção e o emprego.
O outro efeito dessa roubalheira velada é o aumento do preço das commodities produzidas pelos países alvo dessas operações, que o mercado financeiro internacional “interpreta” como um aumento da sua capacidade de endividamento.
O pior é que ninguem sabe como deter essa ciranda de que o nosso presidente tanto gosta. Só o que se sabe é que quanto mais Lula a aplaude, mais o seu candidato ao governo de Goiás treme.
Da “Era de Aquarius” ao pesadelo “corporate”
11 de agosto de 2009 § Deixe um comentário
(para entender bem a sequencia do que vai neste blog hoje, comece duas matérias abaixo, em “Raízes da impunidade – 1”).
Só a ganância pode controlar a ganância com um mínimo de eficiência, como sabiam as gerações passadas de americanos do Norte que tiveram o bom senso de criar as leis anti-truste.
Foram elas que tornaram possivel o melhor momento da democracia vivido até hoje pela humanidade. Ainda que tenha sido uma realidade vivida por muito poucos (na verdade, só pelos norte-americanos), temo que ainda venhamos a ter muita saudade dela.
Se antes havia um bom parâmetro para se tomar como meta, agora não ha mais. Não vejo, mesmo, até como eles, os americanos do Norte, possam vir a reconquistar algo de parecido com o nível de democracia que alcançaram no século passado.
“Se o poder corrompe”, reza a frase atribuida a lord Acton, “o poder absoluto corrompe absolutamente”.
Sendo o dinheiro o meio “democrático” de se conquistar poder, mesmo o mundo mais evoluido, que conseguiu controlar um pouco melhor que nós a corrupção política, está diante de um tremendo problema, que a presente crise financeira põe em maior evidência, depois que a desmontagem do aparato anti-truste fez da competição sem limites a regra do jogo econômico global.
Da competição total, por definição, só um sai vencedor. Assim, desde que ela foi liberada, o mundo passou a caminhar inexoravelmente para o reino dos monopólios, com poder de corrupção ainda maior que o dos antigos Estados nacionais. E é ingenuidade pensar que se poderá vir a controlá-los com regulamentos feitos pelo Estado.
Ao abrir essa porta do inferno dentro de sua própria casa, os norte-americanos não se deram conta de que estavam abrindo mão, também, do poder de fechá-la, se viessem a se arrepender do que fizeram, coisa que, obviamente, já está acontecendo.
Como sempre acontece na História, uma série de circunstâncias excepcionais abriram a brecha para o início do processo, que foi acelerado e potencializado pelos oportunistas do momento. A grande maioria dos norte-americanos, o unico povo servido de ferramentas democráticas fortes o suficiente para deter o processo, só tomou consciência do que estava acontecendo quando já era tarde demais. E a imprensa — historicamente a ultima linha de defesa dos direitos individuais — teve um papel decisivo nesse fracasso. Tornou-se parte interessada no processo que devia mediar e traiu a sua função.
Hoje, está pagando o preço por isso.
Os lances decisivos dessa história estão relatados em detalhe no artigo “A Ameaça da Imprensa Corporate”, armazenado neste Vespeiro.
O efeito foi fulminante. Ao acelerar o ritmo da vida no centro econômico de um planeta que a tecnologia da informação transformou num sistema de vasos comunicantes, os Estados Unidos aceleraram a economia do mundo inteiro. Quando liberaram o crescimento sem limites das corporações no ambiente doméstico, desencadearam a vertigem monopolística global que, com o processo de consolidação que se seguirá à presente crise, dará mais um salto irreversível.
Agora, mesmo que queiram voltar atras, não têm como obrigar seus concorrentes planetários a fazê-lo. Condenaram-se, e a nós todos, a viver sob o jugo de monstros econômicos para o controle dos quais literalmente não existe tecnologia institucional, nem nos Estados Unidos, onde o cidadão comum ainda tem algum poder de influência sobre seus representantes políticos, nem, muito menos, no resto do mundo, onde, com raríssimas exceções, a regra é o representante explorar o representado, em vez de serví-lo.
Assim, a geração que sonhou com “a Era de Aquarius”, acordou mergulhada até o pescoço no pesadelo do vale tudo “corporate”.
E nada que seja possivel discernir no horizonte se apresenta como um obstáculo palpável ao mergulho do mundo naquuele que se anuncia como o grande Século da Corrupção, que fará com que tudo que vimos até agora se pareça com uma brincadeira de criança.
Voltarei ao assunto.
Raízes da impunidade – 2
11 de agosto de 2009 § Deixe um comentário
Levando adiante o tema da nota aí embaixo, cabe lembrar que, com raríssimas exceções, o homem rouba … sempre que pode.
Esqueça a filosofia de botequim e a conversa mole dos padrecos de presídio. Apague a luz por tempo suficiente e vera a humanidade voltar ao estado selvagem. Foi o que aconteceu naquele histórico black-out de Nova York, lá atras, nos anos 70. Dêm uma googada no tema, se duvidam do que estou dizendo. A cidade foi saqueada como num daqueles filmes de invasões dos vickings; o numero de estupros foi às alturas, as pessoas fornicavam na rua a ponto de, nove meses depois, registrar-se um pico nos nascimentos. Tudo porque, de repente, todos tinham certeza de que ninguem estava vendo, e não haveria castigo.
Nem é preciso ir tão longe. Basta ver as ruas sem iluminação. Uma fileira de postes sustentando lâmpadas, todo mundo sabe, faz mais efeito que um batalhão da PM.
Antigamente, quando não havia luz, os viajantes estranhavam a figura dos “embuçados”, naquele calorão do Rio de Janeiro. É que como a impunidade sempre foi lei por aqui, as pessoas andavam cobertas com um enorme capotão, dos pés à cabeça, para o assaltante não saber se ela estava ou não caregando um bacamarte debaixo do ponche, e pensar duas vezes antes de atacá-la.
Hoje não têm mais essa chance. Poibiram as armas pras pessoas honestas e os bandidos podem vir ao seu pescoço com toda a tranquilidade!
Mas a receita é tão velha quanto a humanidade: contra o crime, castigo.
Sem castigo; mais crime. A relação de causa e efeito idem…
O fato é que o brasileiro vive em permanente estado de sítio por causa de alguns milhares de bandidos realmente perigosos, a maioria dos quais a polícia já prendeu mais de uma vez, mas a “justiça” devolveu às ruas.
Não ha mistério nenhum: assassina-se como se assassina no Brasil porque aqui assassinato é só “infração” e gente que planeja e executa o massacre dos pais a pauladas durante o sono pode ser solta “por bom comportamento”.
Aqui perdoa-se o que nem Jesus Cristo perdoava!
Mas não é de graça. Você sabia que em mais de 80% dos processos, o tarado, o troglodita, o assassino profissional, o grande traficante não chega a ter o mérito do seu caso julgado? A causa se extingue por “vício processual”? Quer dizer, pela má colocação de uma vírgula num auto, ou pela “perda de prazo” para a coleta de um depoimento, num dos 50 e tantos recursos previstos?
E sabe por que isso é possível?
Porque interessa a juizes e advogados ter o poder quase divino de prender ou libertar quem eles quiserem (ou melhor, quem puder lhes pagar quanto isso custa). E o jeito de conseguirem isso é manter o Código Processual explícita e desavergonhadamente maluco que vigora aqui, tão cheio de brechas e recursos, que nenhum caso, se eles não quiserem, chega ao fim.
Em cima desse Código Processual viceja uma industria criminosa, que tem o requinte de usar como fachada a repressão ao crime. E a prova disso está nos numeros e nos casos horripilantes relatados na sequencia dos “mutirões carcerários” promovidos pelo Conselho Nacional de Justiça, que no período de um ano libertou 4.781 pessoas indevidamente presas. Para quem não pode pagar os serviços de advogados e juízes onipotentes, qualquer barbaridade vale. Milhares de pessoas continuam presas por anos a fio, depois de terem suas penas cumpridas; houve casos de pessoas presas por 11 anos antes que seu caso tivesse ido a julgamento; ha estados em que a polícia prende suspeitos mas não comunica essas prisões nem ao Ministério Publico, nem à Defensoria Publica, nem à Justiça. A lista de barbaridades e ignomínias sofridas pelo preso “pé de chinelo” não tem fim…
E tudo isso se apoia no poder dsicricionário do juiz e nas infinitas mumunhas permitidas aos advogados.
Nos países anglo-saxões, onde vigora a Common law, a lei baseada na tradição e o sistema de precedentes jurídicos, a função do juiz não é julgar. O juiz lá, alias, não precisa sequer ter curso de Direito. Basta ser um homem de bom senso e ilibada reputação. A função dele é aferir, com a ajuda de testemunhas e de um juri, se o caso que está sendo avaliado se parece ou não, em todos o detalhes, com o caso precedente sob cujo modelo ele entrou no tribunal. Se todos avaliarem que sim, o caso é igual, então a sentença, automaticamente, será a mesma que foi dada ao caso anterior.
Não é preciso muita imaginação para entender quanto esse sistema evita de corrupção. O tipo de corrupção que grassa em tribunais como os nossos onde ha espaço para o arbítrio de tal forma que um caso idêntico a outro pode ter julgamentos diferentes, com sentenças diferentes e até, desfechos opostos, com prisão num caso e absolvição no outro.
O exame detalhado desses dois sistemas jurídicos será objeto de artigos recorrentes neste Vespeiro…




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